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A gestão dos conflitos na infância.

por Rui Brasil, em 03.01.16

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Os conflitos têm lugar desde sempre. O homem, enquanto animal social, sempre criou relações e nestas o conflito também é uma forma de relação.

 As crianças também são promotoras de conflitos, sobretudo nas relações entre irmãos, entre primos nos almoços de domingo, na escola durante a semana ou no parque infantil ao sábado.

 Para lidar com o conflito entre as crianças é necessário, antes de mais, reconhecer o seu estádio de desenvolvimento emocional:

 

 - até aos dois anos, brinca sozinha ou em paralelo e procura o outro sempre com algum interesse;

 - dos dois aos quatro anos, já consegue estar em conjunto por algum tempo, gosta de afirmar-se («Eu quero…», «Eu posso…») e a amizade é condicional («Se não me deixas brincar, não sou teu amigo»);

 - entre os quatro e os cinco anos já socializa, é capaz de partilhar mas tem dificuldades em perder;

 - a partir dos seis e até aos dez anos, socializa e, ao surgirem conflitos, já os justifica, tem consciência de justiça e capacidade de se colocar no lugar do outro, e as regras sociais estão interiorizadas e tem consciência de que as quebram.

 

Os pais podem controlar e minimizar os conflitos, sobretudo na relação entre irmãos, quando são capazes de manter limites com regras claras de funcionamento e comportamento, de ter expectativas realistas sobre o comportamento das crianças, e sobretudo como modelo na relação com os outros e com as coisas.

 

Mas e quando o conflito de instala?

 

1º Passo: Abordar o conflito com calma e parar qualquer comportamento agressivo

O adulto a quem as crianças recorrem deve observar o que acontece, posicionar-se ao nível das crianças e com voz calma e neutralidade questionar sobre a origem do conflito («Francisco e Maria, vamos conversar um pouco…»)

 

2º Passo: Reconhecer os sentimentos das crianças

Os sentimentos das crianças devem ser descritos e de preferência com detalhe, de forma que cada uma se sinta compreendida («Parecem estar zangados um com o outro…» ou «A Maria está zangada e até está vermelha e o Francisco está triste…») e se o conflito tiver como causa um objeto, as crianças devem perceber que é o adulto que o deve segurar.

 

3º Passo: Recolher a informação

O adulto coloca perguntas abertas, dirigindo-se primeiro a uma criança e depois a outra, demonstrando estar atento a todos os detalhes e sem dar a sua própria opinião sobre a situação («Podes dizer o que te parece que aconteceu, Francisco? E tu, Maria, o que achas que aconteceu?»)

 

4º Passo: Reformular o problema e redefini-lo de acordo com o que as crianças disseram

Com uma linguagem simples, o adulto deve dizer aquilo que ouviu e não o que escutou, sem verbalizar o que pensa sobre a situação («Do que vocês me disseram o Francisco sente que a Maria está a ser má por não lhe emprestar a bola, e a Maria está zangada porque a trouxe apenas para mostrar que a bola é da Barbie. Estou correto?»)

 

5º Passo: Pedir ideias e soluções e escolher em conjunto

O adulto deve encorajar as crianças a pensarem numa solução e de que esta seja aceite por todos («O Francisco tem esta solução. O que achas dela, Maria? E tu, Francisco, o que achas da solução da Maria?»)

 

6º Passo: Encorajar para que a solução seja posta em prática

Depois de tanto esforço na procura de uma solução para o conflito, o adulto tem de fazer comentários positivos («Os dois conseguiram boas ideias para resolver o problema. Fico contente.»)

 

7º Passo: Estar atento e dar apoio à decisão

Enquanto a decisão está em prática, as crianças devem perceber que o adulto está perto emocionalmente, e que se necessário pode clarificar o que ficou combinado, sendo que no fim, deve valorizar o esforço feito («Que bom que tudo correu bem!»)

 

Os pais como modelo para os filhos

Ser pai ou mãe coloca-nos muitas vezes perante situações de conflito entre crianças, e se por vezes, é aparentemente fácil resolvê-las, como os que surgem entre irmãos, outras são situações complexas, como as que têm lugar na escola ou no parque infantil.

 

Os pais, enquanto adultos de referência para os filhos, devem mostrar-lhes estratégias de resolução, em que a criança desenvolva um pensamento crítico em relação ao seu comportamento e ao dos outros, tornando claro que se aceita o sentimento mas não o comportamento, que gosta-se sempre dela mas que podemos não gostar das suas atitudes, que o pedido de desculpas não é feito de uma forma rotineira mas de uma forma calma e quando se está preparado.

 

Mas, sobretudo, os pais devem perceber que o conflito também é uma aprendizagem para as crianças e que são o modelo para elas.

 

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