Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


roubat.jpg

 "Já há uns meses que temos vindo a receber queixas que o J. tira coisas dos meninos que não lhe pertencem. Hoje, recebemos uma carta da directora da escola informando que ele foi contra o regulamento escolar, porque tirou dinheiro e andou a vasculhar na mala que nao lhe pertencia. A professora da "ocupação de tempso livres" diz que parece que ele não tem a nocao do justo e injusto, do certo e errado, do mal e do bem"- perguntou-me há tempos uma amiga

 
Quanto a esta temática, realço duas ideias que acho importantes:
 
 
1. A noção do bem e do mal - não posso deixar de concordar com a educadora que esta pode estar na base destes comportamentos: um défice no domínio de valores morais.
 
Este domínio aparece a partir dos 3 anos, na altura em que a criança descentra-se de si e do seu mundo e percebe que existem outras pessoas (e crianças) à sua volta (por exemplo, até esta altura a criança consegue brincar acompanhada de outra criança mas raramente com outra criança). A partir do momento em que ela se apercebe da existência de outros seres que não estão relacionados consigo ou que é possível "viverem" sem interação consigo e que são independentes, começa a tornar-se um ser social e a desenvolver as suas competências morais.
 
Para os adultos ajudarem no desenvolvimento deste domínio, podem ser utilizadas várias estratégias, mas que é importante estarem ligadas a um dicotomia tipo bem-mal, justo-injusto, alegre-triste.
 
Na minha opinião, a melhor estratégia é utilizar a pessoa que interage no momento ou de quem a criança mais gosta para reforçar comportamentos desejados e que assentam na noção de "bem" e comportamentos indesejados e que pertencem ao domínio do "mal": "isto faz a mãe ficar triste" ou "aquilo faz o pai ficar contente". Em boa verdade, nestas idades interessa à criança agradar as suas fontes de amor e esse pode ser um bom trunfo. 
 
A criança só consegue reflectir sobre o valor moral das suas acções por volta dos 6/7 anos. Os mais pequenos percebem as noções do não e do sim, porque o "não" deixa a mãe triste e o "sim" faz a mãe feliz. Portanto, nestas faixas etárias esta pode ser uma boa estratégia.
 
Se a criança for mais velha, podemos sempre recorrer às listagens de regras: duas colunas, com os títulos que dermos oralmente (exemplo: o que faz a mãe ficar contente ou triste, o que é bom ou é mau para os meninos), e desenhar com a criança as ações (e o adulto escreve de uma forma sintética a legenda). Nestas idades é, ainda crucial, trabaçhar o conceito de empatia e do porquê roubar ser um comportamento errado uma vez que assenta em comportamentos de desrespeito pela propriedade dos outros. 
 
Ter sempre em atenção no discurso que o que é bom e mau são os comportamentos / ações e não a criança.
 
2. Relação adulto e criança - para o cimentar do domínio anterior, é muito importante uma relação segura adulto e criança. E para uma relação segura, o mais importante são as regras e a sua congruência. Um comportamento não deve ser mau/a mãe fica triste em determinado momento e noutro não, senão confundimos as noções.
 
Um exemplo, tendo em conta o que me disseste, e que é um erro comum: é mau mexer na carteira ou mala dos adultos (regra), no entanto deixamos que ele mexa na mala da mãe indiscriminadamente. Se deixarmos, estamos a comprometer todo o trabalho realizado. 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Pesquisar

  Pesquisar no Blog