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Foi no outro dia, na Escola Superior de Comunicação Social, onde assisti a um debate onde a minha mulher participou que se levantou a questão: "serão as discussões geradas nas caixas de comentários das redes sociais proveitosas do ponto de vista do que entendemos por discussão?"

Tenho assistido, curioso e entusiasmado, quase sem excepção, a um fenómeno interessante: as pessoas procuram não a troca de ideias, não a análise de outros pontos de vista e outros prismas (mesmo que não concordantes), não a troca salutar de argumentos como contributo para a riqueza da discussão, as pessoas procuram a unanimidade de opiniões, a concordância de todas as partes, a negociação com vista ao ganho, o conformismo de quem, inicialmente, tem uma opinião contrária. As pessoas procuram a chata, enfadonha e entediante convergência. 

E a pressão sobre quem não cede (e nem se trata de ceder por "casmurrice" mas não ceder por real convicção naquilo em que acredita ser o que lhe faz mais sentido) mesmo que o assunto em cima da mesa nem seja um assunto valorativo mas apenas a opinião sobre um artigo de um jornal, um episódio de Game of Thrones ou a interpretação de um post que se acabou de ler, leva a outro passo, ao "olha, não sou mais teu amigo" dos tempos reais da idade adulta: o bloqueio no facebook. 

É curioso que se a discussão ocorrer cara a cara, ao telefone, as pessoas fazem maior uso da sua racionalidade, tendem a ter mais tolerância, a ouvir os argumentos, a não reagir de forma tão incendiária, como se uma espécie de "super-ego" fizesse questão de sensatamente prevalecer, como se a educação e as normas de convivência social metessem um travão nos instintos de zanga, discussão e luta pelo poder de se ter razão. 

Pedem-se regularmente, por questões profissionais, pareceres e opiniões. Regra geral, tendo a aceitar, entender e validar a opinião de terceiros mesmo que nem sempre concorde com elas. É dessa variedade de opiniões que nasce a diversidade, a riqueza de posicionamentos, as diferentes abordagens à mesma temática que por vezes, de forma combinada, dá origem a soluções muito mais interessantes. É no combate a uma visão totalitarista e ditatorial dos temas que me foco  acreditando que a democracia e a liberdade individual, o direito à opinião livre e a cedência ao não conformismo , à não convergência, à não concordância, à não carneiragem e ainda assim ao respeito por esta diversidade é que é o caminho.

Ou como dizia a minha mulher no final do debate: "ainda bem que somos diferentes que assim o mundo não tomba!"

Não o deixemos tombar!

 

 

Experiência clássica de Asch

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