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Não sei onde li isto mas retive-o na memória para sempre: "A auto-estima é o sistema imunológico do cérebro". Acrescento: "A auto-estima é o sistema imunológico do cérebro e do coração".

Ensinar o seu filho e/ou acompanhá-lo num processo de auto-apreciação e amor próprio é um pilar essencial para a construção e solidificação da sua auto-estima. 

Neste processo é importante que a criança comece, desde cedo, a conhecer-se, a identificar os seus pontos fortes, as suas características positivas assim como a identificar as suas oportunidades de melhoria e as suas características que dificultam o seu dia-a-dia na sua relação consigo mesmos e com os outros. Assim, conhecer-se a si mesmo é a primeira premissa para o alcance de uma boa aute-estima. 

Cabe aos pais ajudar os filhos neste processo, identificando, dando relevo e verbalizando as características positivas ("Partilhaste a tua fatia de bolo com a mana: que generoso que és!" ou "Queres ajudar-me nas tarefas de casa? Oh, és tão prestável!" ou ainda "Gostas mesmo de coisas que te façam rir: és tão divertida! ) e identificando e recentrando as características com oportunidade de melhoria ("Esqueceste-te de fazer as tuas tarefas e foste logo brincar. Para a próxima podias tentar ser mais responsável." ou " O outro menino estava aflito e tu seguiste em frente- Se fosse contigo gostavas que alguém tivesse parado para te ajudar, Para a próxima podes tentar oferecer a tua ajuda, que dizes?). 

É o amor próprio que nos dá a confiança de sabermos quem somos, para onde queremos ir, a dizer que não quando é isso que queremos ou precisamos, a não nos compararmos com os outros mas connosco mesmo e com as pessoas que nos queremos tornar, que nos permite lidar com a frustração e admitir falhar, saber reconhecer e canalizar as nossas forças, saber identificar e trabalhar nas nossas fraquezas, não fazer depender os nossos comportamentos de validação externa ou necessidade de ser aceite, perdoarmo-nos sempre que falhamos ou erramos, comemorar sem falsas modéstias e congratularmo-nos com as nossas próprias vitórias, aceitar que nem toda a gente tem que gostar de nós e saber que, no fim de contas, somos mais que as nossas atitudes e comportamentos isolados e, no final,  que merecemos coisas boas. 

As crianças têm que gostar de si próprias antes de gostarem de qualquer outra pessoa. É o amor-próprio que nos dá segurança para sabermos reconhecer e expressar emoções, sentirmos empatia, termos disponibilidade para ter e dar atenção ao outro e nos relacionarmos com o outro.

 As crianças têm que gostar de si próprias sem esperarem que os outros o façam no seu lugar mas como reforço.  O nosso bem-estar não deve depender do amor dos outros. Ninguém nos deve amar para nos sentirmos bem. O amor dos outros deve apenas ajudar-nos a sentirmo-nos (ainda) melhores. 

Sempre que um filho faz algo meritório cabe aos pais dar reforço positivo, não indiscriminado e generalista, mas direccionado ao acto específico de forma a ancorar o elogio à acção. As crianças necessitam de reforçar, ao longo da sua infância, as noções de bem e de mal, o que são comportamentos positivos e desejáveis em oposição ao que são comportamentos negativos e inaceitáveis, precisam que os seus adultos de referência não lhe digam apenas que é "generoso" mas, antes, que lhe exemplifiquem no dia-a-dia acções próprias que demonstrem a sua generosidade. Precisam que os seus adultos de referência não os cataloguem ou rotulem como "bons ou maus" mas que os ajudem as identificar as características positivas ou negativas das suas acções e reacções. Que reforcem as suas boas acções e que os ajudem a reorientar as suas acções menos positivas, que lhes dêem oportunidades para alterar comportamentos, para errar, para experimentar fazer diferente e que nesse caminho nao duvidem, por um segundo, que aconteça o que acontecer nada beliscará o amor que os pais sentem por ele. 

Precisam que após cada vitória o adulto lhe diga "Boa! Tu mereces coisas boas depois de tanto esforço, trabalho, dedicação ou garra"" e que após cada derrota o adulto lhe ajude a secar as lágrimas e a pensar em conjunto o que se pode fazer diferente, relembrando-o que "Hoje foi mau mas para a próxima será melhor! Afinal, tu mereces coisas boas!"

 As crianças precisam de crescer com a confiança de que merecem coisas boas. Sempre. Independentemente do caminho que percorrerem, dos erros que cometerem, das falhas que incorrerem, dos azares e situações externas e circunstancias que lhes são alheias mas que lhes possam acontecer. 

"Tu mereces coisas boas!" é uma espécie de mantra de hoje e de sempre que deve ser usado como nos casamentos: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, nas vitórias e nas adversidades, todos os dias das suas vidas. 

 

 

[Desafio: Regra geral os filhos oferecem-nos, amiúde, flores. Apanham-nas, pedem aos pais que as comprem em dias especiais mas oferecem-nos. E que tal invertermos a ordem das coisas? Desafio-vos a pararem no vosso caminho e apanharem um raminho de flores para os vossos filhos. Quando chegarem a casa ponham-nas dentro de uma pequena chávena bonita em cima das respectivas mesas de cabeceira. Quando eles se depararem com a supresa respondam-lhes que é para eles. Porquê? Porque eles merecem coisas boas. ]

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