Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Pedagogia televisiva para adultos

por Rui Brasil, em 04.10.16

117090.jpg

 

 

Não gostando, particularmente, de desporto nem sendo um ferveroso adepto de futebol. existe, todavia, uma actividade estereotipadamente masculina de que não prescindo- o zapping. 

Numa destas noites em que o comando andou num virote, naquela actividade fabulosa que é estar a olhar para o écran da televisão sem estar verdadeiramente a ver nada, parei num dos episódios da segunda série "Shark Tank Portugal". Espectador e assumido fã da série original, onde os  investidores são verdadeiros "sharks" e apesar de haver um vilão (para quem assiste, toda a gente sabe de que falo de Kevin O'Leary) gosto particularmente das competências que denoto nos investidores: capacidade de escuta activa, competências ao nível da comunicação positiva, capacidade de formular questões sem formular juízos de valor nem assumir um estilo agressivo e, sobretudo, empatia. 

O que assisti, boquiaberto, na edição portuguesa foi um chorrilho de reacções mal educadas, arrogantes e prepotentes a vários projectos, muitos deles, provenientes de jovens que arriscam e se expõem num programa de televisão defendendo uma ideia que consideram válida e na qual investiram o seu tempo, dinheiro e energia. Não que seja acérrimo defensor  de que o "empreendedorismo é que é" e que "basta acreditar e tudo se consegue!" e todo aquele conjunto de empreendo-clichés, muitas vezes desfasados da realidade, muitas vezes apenas assentes em sonhos que não têm potencial de concretização, algumas vezes delírios dos seus criadores sem aferirem as necessidades dos mercados e dos seus público-alvo. Tudo isto acontece, no dia-a-dia, e acredito plenamente que estes investidores ouvem, diariamente, ideias "peregrinas" por dá cá aquela palha e que os níveis de tolerância a alguns delírios seja baixo. Acredito.

Mas também acredito que quem não tem capacidade de se colocar no lugar do outro, capacidade  de recuar e se lembrar que já esteve em estádios anteriores, em situações análogas, com sonhos impossíveis ou difíceis de concretizar, quem não se lembra da forma mais simpática com que ouviu um "não", não pode ser uma pessoa de sucesso. Pode ser um profissional bem sucedido, com EBITDAs elevados, prémios de carreira, iates e aviões comprados, viagens ao espaço realizadas e tudo o resto mas não será, com toda a certeza, uma pessoa gentil, humana e empática. E são essas as características pessoais, na minha perspectiva, que fazem de um ser humano um ser digno desse nome.

 

Também não pensem que tenho embirração com o mundo do empreendedorismo, que se enganam. Já afirmei, ali atrás, que gosto imenso do conceito do programa original, das ideias inusitadas que aparecem, da coragem e audácia de algumas pessoas em arriscar e investir as suas energias em projectos pouco óbvios, da capacidade de anteciparem e diagnosticarem necessidades aos consumidores, de darem resposta aos seus problemas do dia-a-dia.  Acontece na edição do "Shark tank" português como acontece na do "Masterchef Portugal" c

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Eu também já fui uma pessoa sem filhos

por Rui Brasil, em 05.01.16

ano 1.jpg

 Eu já estive dos dois lados da barricada. Não concordo nada quando os pais se passam a apresentar como seres iluminados, pessoas num estádio evolutivo superior, como se ao se ter filhos se desse um passo para um degrau evolucionista acima, com aquele ar condescendente e seguro de "agora é que eu sei o que é... o amor/a vida/dar valor às coisas/a felicidade", como se o passaporte para a legitimidade de se dizer coisas viesse com as criancinhas. Não vem. 

Mas também me faz muita confusão quando os próprios pais vendem a ideia de que ser pai é um martírio, um corte absoluto com uma vida plena, um rol de sacrifícios, uma carga pesada e uma estrada sinuosa para se percorrer e que "nunca mais se tem descanso". Não é verdade. Pelo menos no que a mim me diz respeito.

Ler mais )

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Pesquisar

  Pesquisar no Blog