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Imagem de Snezhana Soosh 

 

1- Não ter a TV ligada às horas das refeições. Estarmos todos juntos à mesa, no final dos dias individuais de cada um, é o momento de partilha, comunhão e sentido de unidade que precisamos com família. É altura de partilharmos os nossos dias, de falarmos sobre o que nos apetecer, de estarmos juntos sem interrupções. 

 

2- Hora de dormir prepara-se meia hora antes de se ir para a cama. Há todo um ritual de relaxamento que antecede a hora de dormir e rotinas securizantes que preparam as crianças para o momento de se irem deitar. Escolher dois livros (um escolhe ele, outro o pai que a acompanha na hora de deitar nessa noite), duas músicas (que se põe no youtube no telemóvel depois das histórias mas sem se ver os videoclips, apenas escutando-as), baixar as luzes, contar as histórias com voz calma e dolente, ouvir as músicas, desligar as luzes e ligar a de presença que projecta estrelas no tecto do quarto, aconchegar a roupa da cama da filha e da boneca preferida que dorme com ela, dizer o código para se deitar (cada família deveria ter um. Aqui em casa é "uma noite descansada: dorme bem. Amo-te!") e dar um beijo, Demora tempo, mas vale cada minuto despendido. 

 

3- Banho tem direito a tempo para todo um ritual de spa. Cá em casa tem que ser à noite, enquanto um dos pais faz o jantar (bem sei que temos a vida facilitada por termos apenas uma filha única mas caberá a cada família encontrar a estratégia que melhor se adeque à sua). Depois do banho há massagem com creme hidratante, há escolha do pijama que combina com o humor do dia, há escovagem de cabelo e secador sem fazer muito barulho nem estar muito quente, há cócegas e beijinhos. O banho está ancorado a um momento do dia feliz e de mimo. 

 

4- Sábado é dia de pequeno almoço tardio de panquecas. Há uma excitação boa com o aproximar-se do fim-de-semana: porque há tempo de manhã, porque há pequeno almoço de robe, porque há uma das iguarias preferidas dela e porque, especialmente, não há pressa. Ao sábado podemos ser molengões e gulosos e sabemos que toda a correria da semana será compensado com o dia das panquecas. Porque merecemos. 

 

5- Viagens (curtas) de carro deixaram de ter rádio ligado nem há autorização para se ver tablets ou aparelhos digitais. Viagens curtas de carro têm lengalengas, jogos de rimas, histórias de improviso a três, músicas novas partilhadas por ela ou antigas recordadas por nós. Viagens curtas têm mnemónicas, lengalengas, adivinhas. Viagens curtas terão, para sempre, memórias. 

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Vivam as crianças reguilas!

por Rui Brasil, em 19.05.16

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 "As crianças de hoje em dia são mal educada e mimadas” é um comentário que ouvimos muitas vezes e em diferentes contextos. Primeiro há que distinguir má educação de mimo: são coisas que não têm que ver nada uma com a outra. Má educação  é algo a combater e a prevenir; o mimo não só é preciso: é essencial para o crescimento e desenvolvimento afectivo das crianças.

As crianças são apenas crianças, alguém que está a estruturar a sua personalidade, a organizar os seus pensamentos, valores e as suas atitudes, e que por isso tenta perceber, interpretar e dominar o ambiente onde se insere. E incluir-se nele. Posicionar-se no Mundo.

E faz parte deste processo de apropriação o colocar em causa as regras estabelecidas, o negociar, o lutar pela prevalência das suas vontades e desejos (até porque as crianças são inatamente egocêntricas), num constante desafio face aos  adultos que lhe são próximos. Quando ouvimos este comentário, era importante questionar sobre o que é ser mal educado. É desafiar regras impostas? É lutar pela satisfação das suas necessidades imediatas? É manifestar-se emocionalmente face a situações que não vão de encontro aos seus desejos?

Depois há que distinguir o que é ser mal educado e o que é, como se dizia quando nós éramos pequenos, “reguila”, esta palavra tão pouco em voga nos dias de hoje. Já repararam que hoje não há miúdos “traquinas”, “reguilas”? São todos catalogados de “mal educados”.

 

 

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 A primeira vez que falámos nisso, numa dinâmica que implica uma criança e questões de parentalidade, a minha mulher estava grávida. 

A gravidez era um projecto conjunto e algo muito desejado. Mas... e se as coisas mudassem tanto que não quiséssemos ficar juntos já com um filho em comum? E se nos desgostássemos? E se não fossemos felizes os dois?

Depois disso falámos acerca deste assunto, a sério, uma vez. Debatemos o assunto, adivinhámos como cada um de nós reagiria com zanga, ira, frustração, ressabiamento, raiva. 

Falámos, enquanto casal, o que gostaríamos que acontecesse com a guarda da Ana caso um dia nos divorciássemos. Achámos importante ter esta conversa numa altura em que o nosso casamento está de boa saúde e a nossa família numa fase próspera para termos a referência da opinião de ambos neste ponto, sem emoções à flor da pele, razão e cérebro a pensarem com bom senso e serenidade. 

 

Não que estejamos a pensar divorciarmo-nos (ou a projectá-lo) mas é importante que coloquemos as coisas em perspectiva e tenhamos esta referência do que, com racionalidade e isenção, faríamos. No fundo não se vai aprender a fazer reanimação quando estamos com alguém em perigo de vida e há uma necessidade premente de salvar alguém, mas é bom que o aprendamos antecipadamente, que reflictamos no conhecimento, que treinemos e que, caso seja preciso, em situação de emergência saibamos os procedimentos certos, os melhores a seguir. 

 

Falar de divórcio não tem que ser agoiro nem projecção. Pode ser apenas um exercício racional e adulto de que forma se pode garantir que os filhos saiam o mais incólumes possível de uma situação de tensão e agitação no seio familiar. 

 

(Por aqui, acordámos na guarda partilhada com uma semana em cada casa e possibilidade da Ana poder ver o outro progenitor sempre que entenda e seja possível para os envolvidos. Casas próximas uma da outra- no mesmo concelho- para garantir que o dia-a-dia dela seria o menos perturbado possível no que diz respeito à vida escolar e vida social e acesso à família alargada.)

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