Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Contra a chucha: marchar, marchar?

por Rui Brasil, em 08.09.16

daddy.jpg

 

 Nenhuma criança começou a chuchar por auto-recriação, portanto, pais queridos quando começarem a frustrar porque a criança resiste em deixar a chucha lembrem-se de quem a introduziu. A chucha é uma coisa boa. Se não fosse o seu uso não teria sido perpetuado ao longo do tempo e não seria alvo de habituação por parte das crianças. E é boa porquê?

Ora bem, a chucha não é mais que uma espécie de mamilo de borracha ou silicone. Exacto: mamilo. Aquela coisa que nos conduz à mãe. Por outro lado, o acto de chuchar implica um certo ritmo que nos remete aos batimentos cardíacos da própria mãe, o que funciona como um factor de segurança e conforto, protecção e contenção. 

Por estas, entre muitas outras razões, o acto de chuchar contribui para a redução da ansiedade nas crianças, conferindo-lhes segurança e tranquilidade, capacidades de auto-controlo e de auto-gestão. 

Por esta razão não há uma idade "certa" para o desmame da chucha. Na minha óptica, a criança deve largar a chucha quando se sentir preparada para o fazer, quando tiver recursos alternativos próprios para gerir a ansiedade, a frustração, a insegurança, o medo, o receio sem ter que recorrer à chucha. 

Cabe aos pais conduzir a criança ao reconhecimento destas estratégias quando, finalmente, as possui, de forma a entender que o papel da chucha já não é importante no seu dia-a-dia. Mostrar de forma factual e pragmática que o escuro não oferece nenhum perigo, promover um papel mais proactivo face a ambientes desconhecidos incentivando à exploração dos espaços, treinar estratégias de auto-controlo em situações adversas são alguns dos papéis que os pais podem ter, não para promover o desmame da chucha, mas antes para fortalecer as estratégias de auto-gestão e os recursos emocionais que dispensarão, a curto prazo, o papel da chucha. 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Foi no outro dia, na Escola Superior de Comunicação Social, onde assisti a um debate onde a minha mulher participou que se levantou a questão: "serão as discussões geradas nas caixas de comentários das redes sociais proveitosas do ponto de vista do que entendemos por discussão?"

Tenho assistido, curioso e entusiasmado, quase sem excepção, a um fenómeno interessante: as pessoas procuram não a troca de ideias, não a análise de outros pontos de vista e outros prismas (mesmo que não concordantes), não a troca salutar de argumentos como contributo para a riqueza da discussão, as pessoas procuram a unanimidade de opiniões, a concordância de todas as partes, a negociação com vista ao ganho, o conformismo de quem, inicialmente, tem uma opinião contrária. As pessoas procuram a chata, enfadonha e entediante convergência. 

E a pressão sobre quem não cede (e nem se trata de ceder por "casmurrice" mas não ceder por real convicção naquilo em que acredita ser o que lhe faz mais sentido) mesmo que o assunto em cima da mesa nem seja um assunto valorativo mas apenas a opinião sobre um artigo de um jornal, um episódio de Game of Thrones ou a interpretação de um post que se acabou de ler, leva a outro passo, ao "olha, não sou mais teu amigo" dos tempos reais da idade adulta: o bloqueio no facebook. 

É curioso que se a discussão ocorrer cara a cara, ao telefone, as pessoas fazem maior uso da sua racionalidade, tendem a ter mais tolerância, a ouvir os argumentos, a não reagir de forma tão incendiária, como se uma espécie de "super-ego" fizesse questão de sensatamente prevalecer, como se a educação e as normas de convivência social metessem um travão nos instintos de zanga, discussão e luta pelo poder de se ter razão. 

Pedem-se regularmente, por questões profissionais, pareceres e opiniões. Regra geral, tendo a aceitar, entender e validar a opinião de terceiros mesmo que nem sempre concorde com elas. É dessa variedade de opiniões que nasce a diversidade, a riqueza de posicionamentos, as diferentes abordagens à mesma temática que por vezes, de forma combinada, dá origem a soluções muito mais interessantes. É no combate a uma visão totalitarista e ditatorial dos temas que me foco  acreditando que a democracia e a liberdade individual, o direito à opinião livre e a cedência ao não conformismo , à não convergência, à não concordância, à não carneiragem e ainda assim ao respeito por esta diversidade é que é o caminho.

Ou como dizia a minha mulher no final do debate: "ainda bem que somos diferentes que assim o mundo não tomba!"

Não o deixemos tombar!

 

 

Experiência clássica de Asch

Autoria e outros dados (tags, etc)

fatherandsonfishing.jpg

 O meu modelo parental masculino era frágil. Criado numa dinâmica familiar altamente matriarcal e feminina o meu modelo de referência masculino, maioritariamente ausente e workhahoolic, nunca foi encarado por mim como um modelo de referência. 

Quando cresci reconciliei-me com o meu pai. Não que alguma vez tivéssemos estado zangados, nada disso. Mas com o atingir da idade adulta empatizei mais com o homem para além do pai e com as motivações, anseios e desejos que o levaram a tomar uma série de atitudes com as quais nunca concordei. Continuo a não concordar com algumas mas compreendo-as agora, o que facilita a que as aceite e empatize com o meu pai. Em Psicologia aprendemos uma premissa básica que repetimos várias vezes cá em casa "cada um faz o melhor que sabe com o recursos que tem".

Dizia eu que cresci com a certeza que seria um pai oposto, ou pelo menos muito diferente, do meu pai. Sou-o em muitas coisas, não tantas quanto previ. De vez em quando lá dou por ele em mim: atitudes pequeninas, frases feitas e reproduzidas, reacções irreflectidas e familiares e o meu pai muitas vezes presente no meu papel parental, especialmente em muitas das coisas que sempre critiquei e achei que faria diferente. 

Quanto criticamos os nossos pais assumimos uma espécie de compulsão, de necessidade de provar a nós próprios (e ao Mundo) que somos diferentes como se por pertencermos à geração seguinte tivéssemos que estar mais preparados, mais prontos, mais aperfeiçoados e num patamar educacional superior e irrepreensível. 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

xhild.jpg

 "Uma criança pode encontrar inúmeros exemplos de morte, por exemplo, numa folha caída ou num animal morto, e observar que este não se move nem reage a qualquer estímulo. Isso suscita-lhe curiosidade e ela procura rapidamente uma explicação junto de um adulto ou de outra criança. A partir dessas explicações ou crenças, ela desenvolve as suas próprias ideias. Tanto o que lhe é dito, como o que não se diz (que passa nalguns casos pelo silêncio ou pela fuga à questão), tem uma grande repercussão no imaginário infantil e no seu desenvolvimento.

 

Em geral, consideram-se quatro fases, que se sucedem no tempo, do nascimento à adolescência, mas nem todas as crianças passam por estas etapas. 
 
Ler mais )
 

Autoria e outros dados (tags, etc)


O luto na infância

por Rui Brasil, em 10.01.16

image-5451.jpg

 Normalmente as crianças fazem o seu luto de uma forma diferente da dos adultos. Quase todas as que eu conheço tentam não falar sobre a pessoa que morreu como forma de resolverem a sua falta ou como tentativa de fuga do pensamento à experiência nova e dolorosa da perda. Há casos menos frequentes, em que algumas repetem todos os dias que o ente querido morreu, embora este quadro não seja muito comum.

 
De qualquer forma, cada criança reage de forma diferente ao confronto com a morte.  Os diferentes estádios de desenvolvimento em que se encontram, os diferentes tipos de personalidade, o grau de proximidade da pessoa que morreu e a própria “cultura de luto” própria de cada dinâmica familiar serão variáveis concomitantes para as diferentes formas das crianças vivenciarem, construirem uma representação interna da morte e exteriorizarem esta perda.
 
 
Ler mais )

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Bullies e rufias

por Rui Brasil, em 04.01.16

bullies.jpg

 Em todas as áreas da sociedade existem relações de poder, muitas vezes circunstanciais, que se estabelecem, seja entre pai e filho, patrão e trabalhador, professor e aluno. E a escola, tal como qualquer sistema social, reproduz na sua vivência a sociedade e as suas relações de poder.

Quando falamos de indisciplina na escola, lembramo-nos sempre da nossa experiência, dos nossos tempos de escola, em que havia sempre o grupo dos “rufias”, dos “dreads”: os que faltavam às aulas embora estivessem dentro do recinto escolar, que fumavam nas traseiras dos pavilhões, que tinham a fama de serem os mauzões.

No entanto, muitos deles eram os primeiros a defender algum aluno mais frágil ou a ajudar a professora, com uma perna partida, a carregar a pasta até ao carro estacionado no fim do dia de aulas. Estes são os "bons malandros" ou simplesmente, os rufias. Mas também existia um ou outro que era mesmo “mau”, o "já não há nada a fazer", o que batia nos alunos mais novos ou lhes roubava o dinheiro do almoço. Esse não é só rufia, é aquele a quem chamamos de bullie. E a fronteira entre os dois é ténue, mas existe.

O bullying (como atualmente apelidamos um conjunto de comportamentos violentos e socialmente desadequados) existe de duas formas: direta ou indireta. Reconhece-se facilmente a forma direta de bullying, observando comportamentos onde a agressão a nível físico é recorrente, muito utilizada pelos rapazes que assumem relações de poder recorrendo a este tipo de força. Já nas raparigas o padrão de agressão é, muitas vezes, indireto, através do recurso à violência verbal ou social, ou mais recentemente o chamado cyberbullying.

Mas o que diferencia o rufia do bullie? Uma relação com três sinais facilmente identificáveis:

LER MAIS )

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Pesquisar

  Pesquisar no Blog