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Em nome do Pai

Paternidade na ótica do utilizador.

Em nome do Pai

Paternidade na ótica do utilizador.

Blog Out # 2- Curia

 

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Gostamos de levar a Ana connosco durante todas as nossas férias (viajamos regularmente em trabalho em casal e fazemos anualmente dois ou três fins-de-semana de escapadinhas românticas a dois mas férias,férias, são sempre com a família completa). Não criticamos nem julgamos opções diferentes das nossas mas, no que à  nossa dinâmica familiar diz respeito, só desta forma nos faz sentido. 

 

No Verão passado tínhamos duas certezas depois de um ano particularmente cansativo: queríamos fugir do Algarve e queríamos um destino calmo no Verão e kids' friendly. Não sonhávamos que íamos acertar em ambos os requisitos à primeira quando elegemos a Curia como destino final. 

 

A Curia é uma aldeia portuguesa, localizada no concelho de Anadia, onde se podem encontrar as famosas termas com o mesmo nome. Trata-se de um local muito charmoso, com uma arquitectura de estilo Belle Époque e Arte Nova,  que tinha imensa procura na primeira metade do século XX mas que tem vindo a ser cada vez menos procurada ao longo dos últimos anos, e nós (honestamente) não percebemos porquê. 

 

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 Ficámos instalados no "Hotel do Parque", uma pequena, simples e despretensiosa unidade hoteleira familiar mignon e pitoresca, onde o passado está presente por todo o lado, na fantástica sala de pequenos almoços, nas escadas a ranger para o primeiro andar, nos quartos com papel de parede impossível de ser substituído por já não haver no mercado tamanhas preciosidades, no bar onde um pianista da terra tocava para nós ao serão e na inefável simpatia da Maria Manuel, sua mãe e avó que nos contaram histórias da família no Hotel ao longo das últimas décadas, dos esforços feitos para manterem um projecto desta envergadura, do suor de todos os membros da família em torno de um hotel que é casa, história de uma geração. 

 

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A Curia não teve qualquer agitação durante o mês de Agosto. O nosso pequeno hotel ficava a 250 metros do Parque das Termas da Curia, onde íamos regularmente para a esplanada, comer um gelado, brincar no parque infantil com a Ana, dar comida aos patos (a dona do hotel todos os dias guardava os restos do pão do pequeno almoço que fornecia à Ana para o efeito), passear pelos jardins e andar de barco no pequeno lago. Ah, e fizemos piqueniques maravilhosos!

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Ali a 12 Km visitámos a Mata do Buçaco, um dos nossos sítios preferidos do país e a localiação da Curia é tão central que demos (vários) pulinhos à Mealhada para jantar leitão, a Aveiro para ir à praia da Vagueira (a praia preferida da minha mulher), a Ílhavo para visitar as lojas da fábrica da Vista Alegre e a Costa Nova para colorirmos de riscas e de sabor a tripas com ovos moles as memórias de infância da nossa filha. 

 

Sem filas, sem confusão, sem barulheira nem stress- um verdadeiro paraíso!

 

 

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 Por tudo isto, este ano voltaremos, certos que no que a nós diz respeito não só contribuiremos para continuar a vetar uma das aldeias mais mignon do país ao abandono como pretendemos ser embaixadores da mesma, testemunhando a nossa experiência publicamente, recomendando a todos os nossos amigos com filhos que nos venham fazer companhia e  esperando para que o turismo na zona cresça de forma sustentável, possibilitando que possamos continuar a usufruir de todas as contrapartidas da zona mas que permaneça o paraíso calmo que nos fez apaixonar pela Curia. Já estão convencidos?

 

Se sim... encontramo-nos por lá no Verão!

 

Tudo o que aprendi com o que a minha mulher aprendeu -com quem realmente sabe- sobre vacinação

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"Começar por ler este decreto-lei que não foi alterado até ver e vamos lá falar de vacinação, agarrando na vacina pela agulha:
 
 
As vacinas são obrigatórias?

Existem apenas duas vacinas obrigatórias: a da difteria e a do tétano. Todas as outras são apenas recomendadas pelo PNV, logo, não obrigatórias.
Afinal, diz que não. "Aquelas duas vacinas eram de facto obrigatórias, mas não para toda a gente. Eram apenas para gente que desempenhava determinadas profissões. E parece que já nem para esses, o decreto lei, que era de 1960 e qualquer coisa, consta que foi revogado. Por isso em Portugal há zero vacinas obrigatórias e nenhuma escola, pública ou privada, pode recusar legalmente matrícula com base em boletim de vacinas não actualizado. Infelizmente."- assegura-me a minha amiga Mariana (médica).
 
Mas- tratando-se de um caso de saúde pública- NÃO É MESMO OBRIGATÓRIO vacinar?
 
"Não é obrigatório vacinar, da mesma forma que alguém com tuberculose bacilífera (contagiosa pela via aérea) não é obrigado a tratar-se, ainda que seja um perigo para a Saúde Pública. O mesmo para o HIV (com potencial de infectar outras pessoas, por via sexual ou por partilha de agulhas...).
É a questão da liberdade individual. A única situação em que tal é quebrado é quando existe uma situação psiquiátrica, em que o doente não está capaz de decidir, podendo ser então desencadeado um internamento compulsivo (contra a vontade do doente), que tem de ser aprovado em última instância por um juiz. E como a estupidez ainda não é doença..."- aferiu-me a Daniela Marto, médica e ilustre leitora do meu blog.
 
Mas quando matriculei os meus filhos pediram-me fotocópia do boletim de vacinas?
 
As escolas pedem-no para efeitos de verificação se as duas vacinas - que como eu, muitas escolas julgam ser as obrigatórias - lá constam. No entanto, as escolas não podem excluir para efeitos de matrícula crianças que não tenham sido vacinadas nem esse factor pode constituir motivo de exclusão.
 
Mas existem pais que só permitem administrar estas duas vacinas aos filhos?
 
Sim, precisamente, porque julgam que assim não ficam excluídos do ensino obrigatório. Outros há que não permitindo nenhumas optam pelo ensino doméstico ou contornam a questão com metodologias de ensino alternativas. Há ainda estabelecimentos de ensino que solicitam apenas fotocópias do boletim de vacinas e existem pessoas que não acreditam no poder da ciência mas acreditam no poder do Photoshop. 
 
Mas as escolas privadas não podem vetar o acesso de crianças não vacinadas aquando das matrículas?
 
Não, constituindo discriminação. As escolas privadas podem ter regulamentos internos que estabelecem esta recomendação mas, em última instância, a lei está acima do regulamento da escola.
 
E os pais das crianças vacinadas têm acesso à informação de que os seus filhos têm na turma crianças não vacinadas?
 
Tendo em conta questões de confidencialidade e protecção dos dados, estes não podem ser fornecidos aos restantes pais.  No entanto,as escolas podem e devem informar, sem referir dados pessoais nem violando regras de confidencialidade e anonimato, se existem crianças não vacinadas na escola e na respectiva sala.
 
Os tribunais não deveriam poder interceder para que as crianças fossem todas vacinadas tendo em conta o superior interesse destas?
 
"As crianças não pertencem a ninguém. As crianças são sujeitos de direitos, e não objecto de direitos (como -ainda- são os animais). Os pais são tutores e, em todas as decisões que tomam, estão obrigados e zelar pelo melhor interesse da criança. Se não o fizerem, o Estado pode e deve intervir. Exemplo: se por convicção religiosa ou outra os pais recusam tratamento médico necessário (seja uma transfusão, seja outro simples tratamento), o Estado, via tribunal de menores, pode determinar seja prestado o tratamento. Caso exista um risco iminente para a vida da criança, os médicos podem tomar a decisão de tratar, antes ainda de expressa determinação do tribunal.".- escreveu a minha amiga Isabel, que percebe de leis.
No entanto, no que diz respeito à vacinação não obrigatória os tribunais (ainda) não têm competência para actuar de forma generalizada.
 
"Mas as vacinas estão cheia de químicos e yada-yada. "
 
Tudo o que ingerimos/tocamos/manipulamos está cheio de químicos. O problema está na dose, ok?
 
"Isto é tudo campanha das farmacêuticas para ganharem mais dinheiro à custa dos pais histéricozinhos, hipocondríacos e incautos!"

"Quando me dizem que "as vacinas são um estratagema das farmacêuticas para ganhar dinheiro", quando ainda tenho paciência e julgo conseguir uma conversa de interesse pedagógico, costumo perguntar se, feitas as contas achamos que a farmacêutica ganha mais com uma vacina que nos vende duas vezes na vida e cujo preço às vezes é menor que o de uma pomada para o rabo do bebé, ou com uma caixa de medicamentos que tratasse os sintomas e que muitas das vezes tem que ser tomado meses sem fim. Mas, na cabeça de quem não compreende ou não quer compreender, eu estou sempre do lado dos maus da fita." - a Ana Pragana,-minha amiga farmacêutica- elucida.
 
"Mas se os vossos filhos estão vacinados, o que temem vocês?"
 
Googlar: "Imunidade de grupo".
Mas eu vou tentar resumir: quanto maior o número de pessoas vacinadas, aumenta-se a imunidade na maioria dos vacinados, reduz-se o risco de infecção nos vacinados e reduz-se drasticamente a hipótese de transmissão aos vacinados e aos não vacinados.
A imunidade de grupo é um efeito indirecto da vacinação por protecção dos vacinados e por protecção dos não vacinados por redução da circulação do agente e da transmissão da infecção, garantindo a protecção de toda a comunidade.
Existem crianças que não podem ser vacinadas ou porque são bebés e ainda não atingiram a idade em que é administrada a primeira dose da vacina (12 meses) ou porque tiveram, por exemplo, uma doença oncológica e tratamentos como quimioterapia reduzem a sua imunidade e impossibilitam o seu sistema imunitário de lutar contra as bactérias e vírus ´(mesmo que apenas atenuados como os que compõem as vacinas) administrados na vacinação.
 
Que devo fazer se tenho dúvidas sobre vacinação?
 
Informar-me com médicos, enfermeiros. Ler artigos de fontes credíveis. Não ir na conversa do empirismo dos vizinhos. Não me contentar com a informação que leio nos blogs (inclusive neste) e procurar informar-me no meu Centro de Saúde, junto do pediatra do meu filho, do médico de família.
 
 
"Que posso fazer se sou pró-vacinação e tudo isto me faz muita espécie?"
 
Informar, informar, informar. Debater, explicar, elucidar. Trazer a discussão à luz. 
 
A culpa é da comunidade vegan?
 
Meus amigos, porque algumas pessoas que não vacinam sejam adeptas da alimentação vegetarina ou vegan, isso não significa que estamos perante um dogma de toda uma comunidade. Atenção às generalizações abusivas, tá?
A maioria das pessoas vegan escolhe apenas um tipo de alimentação com que se identifica, tá?
 
"Mas se eu insistir que quero continuar a não vacinar os meus filhos e viver em comunhão com a mãe natureza?"
 
A mãe natureza explica também a selecção natural das espécies (googlar "Darwin"). As epidemias que dizimaram ciclicamente grande percentagem das populações foram interrompidas pela vacinação. 
 
 
(Obrigada pelos esclarecimentos à Daniela Marto, Marta Botelho, Raquel Lourenço, Ana Pragana, Mep, Mafalda Chambino, Isabel, Sara Cordeiro e Patrícia Nunes)."
 
 

Liliana (minha mulher e mãe da minha filha)