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Em nome do Pai

Paternidade na ótica do utilizador.

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De Que Cor É um Beijinho?

Mónica, neste livro conhecida por Mini Mo, tem uma missão: descobrir de que cor é um beijinho, afinal?  
Ao longo das páginas, Mónica vai tentar descobrir e fazer divertidas associações as cores, os alimentos, as estações do ano, as acões e as emoções.
Um livro incrivelmente bem ilustrado que percorre um mundo de emoções à procura da cor de um beijinho.  

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Título:   De Que Cor É um Beijinho?

Autoria:  Rocio Bonilla 

Tipo de leitura: leitura narrada por em adulto

Idade recomendada:  entre os 3 e os 6 anos

Sugestão de actividade: Desenhar um beijinho e colori-lo

 

Blog Out #6 Kidzania e a euforia de toda uma família

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A minha digníssima mulher já fez o favor de nos quebrar o coração com este incrível texto que fez com que toda a resistência passiva, insistência e até chantagem emocional ("vá lá, faz o esforço pela Ana, sabes o quanto ela adora!") tivessem valido a pena mas tinha ficado a faltar o meu feedback sobre o fantástico dia da mãe passado na Kidzania.

 

Como muitos de vocês saberão eu sou ilhéu e não tenho uma série de memórias de infância comuns aos dos meus amigos do continente nem às da minha mulher. Quando lhe noto o brilho nos olhos a falar da abertura no Verão da Feira Popular, da casa dos espelhos, da casa assombrada, da montanha russa com looping e, no final, das sardinhas assadas que, pelos vistos, tinham uma mística própria, fico sempre à nora (mas ter crescido nos Açores trouxe-me,em compensação, uma série de experiência geniais de que um dia aqui escreverei).

 

Por isso, sempre que informamos a Ana de que vamos à Kidzania depreendo que o grau de excitação seja o mesmo que a maioria dos leitores deste blogue e que são pais da minha geração sentiam quando iam à Feira Popular. 

 

A primeira coisa que a Ana fez foi todo o planeamento: sacou dos confins de um cofre secreto que tem dentro do armário as notas da kidzania que vai acumulando por cada visita que faz (a Ana é uma fuinha e nunca quer gastar dinheiro!), analisou o passaporte para garantir quais os carimbos em falta e quantos eram precisos acumular para ganhar o prémio mais cobiçado por ela (sim, o pacote de pipocas grátis!), olhou para o mapa e traçou um percurso e lá nos metemos a caminho. 

 

A Ana é muito mais organizada, planeada, focada e metódica do que qualquer um dos pais e nunca deixamos de nos surpreender com a sua capacidade de concretizar os seus planos. 

 

Chegados à Kidzania começámos a seguir o roteiro, ali, certinho, actividade atrás de actividade, sem dispersão. No fim de cada actividade pontuava-as num caderninho que levava na pequena malinha e, no fim, percebemos ali um padrão (sim, somos ambos pais psicólogos, tenham condescendência!). 

 

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Na kidzania conseguimos perceber imenso sobre os nossos filhos: como reagem em situações de resistência à frustração (permanecem nas filas para concretizarem as actividades mais desejadas ou desistem do objectivo e dispersam?), a capacidade de concentração, atenção e até resiliência (nas actividades mais boring- por exemplo na fábrica de gelatina- a Ana, que faz gelatina amiúde em casa, manteve a sua atenção às explicações e não mostrou enfado), a capacidade de empatia (nas análises clínicas à agua, uma das actividades que até fez sozinha com o monitor, e apesar de ser tímida, sentiu que lhe cabia a tarefa de colaborar de forma mais activa para que a actividade resultasse), se preferem papéis de liderança (a Ana não os prefere,por exemplo, é uma low profile) ou actividades de colaboração ou competição (a Ana abomina competição, mesmo em áreas em que se destaca pela positiva, toda ela é colaboração), se tem uma visão mais macro ou se prefere tarefas de atenção ao detalhe (aqui, claramente, de atenção ao detalhe), se se identifica mais com tarefas burocráticas, desportivas, "hands on" tipo fabris, científicas ou sociais (sim- suspiro*-sociais, e adorou ser médica, veterinária e dentista), qual a sua relação com o dinheito e com a componente numérica (já disse acima, é uma fuinhas e sabe que trabalhar é que lhe garante amealhar mais dinheiro e pondera sempre no qua não gosta da actividade e se lhe faz sentido pagá-la numa óptica de custo benefício: só pagou o spa, porque era o dia da mãe e queria maquilhá-la e pintar-lhe as unhas, o teatro porque adora de facto espectáculos, o circuito de condução e as compras do LIDL.) De caminho, perdeu o medo e subiu a torre de escalada, naquele que foi o ponto alto deste dia. 

 

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No meio disto tudo seria é fascinante ver como, num contexto macro de jogo simbólico, eles reproduzem tantos comportamentos que vêem em casa e como nós educamos, de facto, pelo exemplo: a Ana fez um hambúrguer no MacDonalds e quando se cruzou com a Pizza Hut afirmou logo que não ia para aquela fila, porque já tinha comido uma vez "fast food" ou quando olhámos para as compras que ela colocou sozinha no LIDL estavam ali todos os produtos de todas as marcas que compramos cá para casa, sem excepção. E,claro, não abriu mão do teatro porque cá em casa somos uns fantáticos da vida cultural. 

 

Ir à Kidzania é uma festa para família. Como psicólogo penso que seria interessante colocar à frente de cada actividade uma explicação aos pais acerca dos skills que ali podem ser treinados, nomeadamente, no que concerne às competências sociais, para os pais conseguirem também tirar as ilações que nós conseguimos tirar e perceberem alguns padrões de comportamento dos filhos que emergem nestes contextos de educação não formal (Kidzania, encarem isto como um desafio!).

 

"Happy kid, Happy Life!"- saímos completamente estafados e excepcionalmente felizes. A Ana adormeceu mal sentou o rabo na cadeirinha do carro, ali, agarrada Às notas que trouxe (mais que as que levara de manhã) e ao balde de pipocas grátis que os carimbos somados lhe proporcionaram.

 

Digam lá que não é obstinada?

 

+ informações aqui