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Em nome do Pai

Paternidade na ótica do utilizador.

Em nome do Pai

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Dicas d'Os Pais: "Não há verdades absolutas e da discussão nasce a evolução"

No nosso grupo de Pais (sim, temos um grupo só para pais homens e tem sido uma experiência íncrivel!) os temas que apresento aqui no blogue (bem como muitos outros introduzidos por outros participantes) são amplamente discutidos, no bom sentido da palavra. 

 

Hoje, o meu amigo Francisco Machado, professor universitário e especialista em Psicologia Educacional e partcipante activo no grupo contrapropôs uma nova perspectiva sobre o meu post dos TPCs.

 

A parte melhor é que é um vídeo e não uma carrada de blá blá blá. Ora, assistam ao que ele tão bem acrescentou:

 

 

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Let's talk about sex, baby?!

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Cá casa regemo-nos por um princípio do qual não abrimos mão: nunca (sob que pretexto algum) mentimos à Ana. Isto aplica-se a tudo, se ela pergunta se a "pica" da vacina vai doer, nós dizemos que sim e que no fim a reconfortaremos. Se no início do ano lectivo nos pergunta se vai ser difícil ter que voltar à rotina, concluímos que sim (a ela custa-lhe sempre recomeçar) mas que estamos cá para a ajudar. E isto tanto vale para verdade dolorosas como corriqueiras. No outro dia dissemos-lhe que quem a iria buscar era a mãe, um bocadinho mais cedo que o normal, e quando tivemos que reajustar o dia e percebemos que seria a tia-avó a ir apanhá-la (o que na verdade é muito mais a realidade dela que a excepção de ser a mãe e ela até adora a tia, nem haveria grande drama no processo) fizemos o que tinha que ser feito e ligámos para a educadora a avisar da mudança de planos, para que a pudesse transmitir à Ana.

 

Claro que há raras (raríssimas) excepções.Continuamos a alimentar o Pai Natal e a fada dos dentes porque embora a saibamos pragmática queremos prolongar um bocadinho do imaginária e da magia da infância,embora tenhamos dúvidas de como reagiremos quando nos confrontar directamente com a existência real de tais personagens.

 

Por isso, um dia, aos quatro anos e ao jantar quando nos perguntou como eram feitos os bebés, respirámos fundo, here we go e contámos-lhe, sem recorrer às convenientes cegonhas. 

 

A mãe é especialista nessas conversas e lá explicou que a mãe tinha dentro da barriga um óvulo (uma espécie de ovinho pequenino) e o pai tinha dentro da pilinha um espermatozóide (uma espécie de semente rápida como um girino) e que quando o girino conseguia entrar no óvulo, aquilo junto tinha um poder mágico que era dali sair um bebé. Pareceu-me uma imagem bonita, embora um tanto uma espécie de Big Bang ou de "e puff... fez-se chocapic".

 

Claro que a Ana precisou de saber mais. Afinal como chegava a semente dentro da barriga da mãe e lá lhe explicámos coisas sobre anatomia e o que significava "fazer amor" (a pilinha do pai que se introduz dentro do pipi da mãe), o amor e o facto das pessoas fazerem amor porque se amam (ok, esta parte foi romantizada mas não podemos dizer a uma criança de 4 anos que basta haver cópula sem sexo para nascer uma criança) e que tinha sido dessa forma que Big-bang, "fez-se chocapic", ela tinha nascido. 

 

Não acredito que sejam precisos livros muito científicos para se ter esta conversa, nem colocar um tom sério e formal para se falar no tema. Mais que tudo, é importante não evitar ou adiar a conversa, falar com toda a naturalidade possível sobre ele ("se os pais se mostram desconfortáveis com o tema, então, é porque existe algum motivo para gerar esse desconforto, certo?).

 

E é importante que os pais entendam que falar de sexo é mais que isso: é falar do corpo, da identidade sexual, do género, de afectos, de intimidade e de tudo isso que, junto, faz a sexualidade. Algo que nasce com todos nós. Sim, com os nossos filhos também. 

 

Algumas dicas que nós acreditamos serem importantes na abordagem do tema: