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Em nome do Pai

Paternidade na ótica do utilizador.

Em nome do Pai

Paternidade na ótica do utilizador.

Dos o ao 1: Os 6 maiores desafio nesta coisa da maternidade (por grau crescente de dificuldade)

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1- Pô-la a arrotar- Acho que este é a primeira grande "praxe" da mãe-natureza. Parece uma coisa simples quando vemos nos outros: arremessa-se o bebé até ao ombro, põe-se a criança à varanda e pumba! Comigo era um autêntico tormento: dava-lhe bacalhaus nas costas; sentada, punha-a em cima dos joelhos de barriga para baixo; pousava-a nos antebraços e rodava-os para um lado e para outro, enfim... Pensei chegar a fazer a dança do arroto- um cruzamento de Macarena com dança da chuva dos índios da Amazónia- para verem o grau de dificuldade que aquilo me assemelhava. Boas notícias: a partir da altura em que se introduzem os sólidos e, de forma progressiva, a necessidade do arroto vai-se dissipando. 

 

2- Vestir-lhe as perneiras de umas calças- Eu entendo que é uma necessidade básica a de vestir a miúda e, nomeadamente, de lhe vestir calças. Ela acha que é um jogo e fica tão escorregadia como um polvo. Eu enfio a perneira numa perninha, ela tira a da outra e assim, sucessivamente, enquanto esbraceja para tornar a coisa mais atordoante. Solução: agarrar-lhe nas duas pernas, como se faz aos coelhos na hora h, e enfi´-las nas calças duma só vez. Um truque é metê-la de pé, entalar-lhe o tronco no meu sovaco e enfiar as duas pernas em simultâneo. Uma autêntica prova de coordenação e ginástica acrobática. Para mim. 

 

3- Cortar-lhe as unhas- A única esperança que esta actividade me trás é a de que ela se torne uma exímia pianista quando crescer tal a destreza com que dedilha. É um tal esticar e encolher de dedos fabuloso! Pena que seja descoordenado com a unha que se quer cortar: se eu quero a do mindinho, ela estica a do anelar, se a do indicador está gigante, ela consegue, literalmente, encaracolar o respectivo dedo para me impedir de aproximar a tesoura. Um tormento! 

 

4- Assoá-la/Pôr-lhe soro no nariz- Parece que está a ter um ataque epiléptico: começa a tremer, a abanar a cabeça de um lado para o outro a uma velocidade estonteante, a abrir a boca, a fechar a boca, a piscar os olhos, louca, louca, louca. E chora muuuuito, tanto, que eu temo que um dia destes uma equipa da Comissão de Crianças e Jovens em risco me bata à porta acompanhada por um agente da GNR e me apanhem em flagrante abuso infantil... de lenço e toalhita na mão!

 

5- Dar-lhe alimentos sólidos de forma minimamente limpa- É um circo misturado com feira e luta na lama da tabela alimentar. Primeiro tinha uns pequenos babetes lindos, lindos, depois uns maiores com peitilho enorme, depois tentámos com mangas, agora assumimos o bibe duma vez por todas. A próxima tentativa será uma tenda-iglo (para quem lhe está a dar a comida) e um abajour com diâmetro suficiente para a cabeça estar de fora e a comida escorregar. No chão? Um oleado, pois está claro!

 

6- Usar o Narhinel- Aqui é o êxtase, nível 10 de dificuldade. Parece que foi possuída, parece uma mini-exorcista! Há de tudo: choro, berros, gritos, beicinho, saliva a rodos porque se cospe toda com o stress, ranhoca a ser puxada para dentro como se estivesse a chupar lapas em sentido contrário ao que o Narihnel tenta fazer. Esperneia, abana com a cabeça, arranha-nos, pontapea-nos, abocanha-nos, no fundo, é o culminar de todos os pontos anteriores, com todas as manifestações acumuladas nuns minutos que em nada se comparam aos de um sismo com uma intensidade máxima na escala de Richter. Um sismo é brincadeira de criança ao pé disto. Literalmente. "

 

 

Liliana (minha mulher)

Dicas d' Os PAIS: usar o MB Way para desenrascar um filho

_Esqueceu-se de dar dinheiro ao seu filho (11 anos

"Acabei de utilizar o MB Way duma forma que me senti impelido a partilhar com todos os "Pais", pois deu muito jeito!


Como sabem (ou ficam a saber) o MB way é das melhores coisas inventada pela SIBS desde os nossos tão à frente ATMs. É possivel transferir dinheiro rápido (na hora) e simplesmente entre quem tenha ativado esta app no seu cartao de debito (principalmente agora que todos bancos cobram tranferencias).


Mas o que quero partilhar é a possibilidade de levantar dinheiro num multibanco sem cartão.


Esqueci-me de dar dinheiro ao meu miudo (11 anos) e ele precisava para almoçar.. fui à APP no smartphone, carreguei em levantar dinheiro, a app forneceu-me um codigo (9 numeros) o qual eu enviei por SMS a ele.

 

Ele só teve de ir ao MB da escola, carregar na tecla verde, introduzir o código (com 30 min de prazo) e .. voilá.. já tinha a nota e não precisei de lá ir.


Imagino que isto me vá da muito jeito no futuro, pelo que, fica a dica!!"

 

Nuno Portela- distinto membro do grupo "Pais"

We agree to disagree# 4 Baptizar ou não a criança?

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A minha família é católica praticante e fui educado de acordo com os dogmas, valores e ritos do Catolicismo. Sou açoriano e na minha ilha- como, aliás, em todas as dos Açores- há uma forte religiosidade vigente.

Fui baptizado com dois ou três meses (tal como o meu irmão), frequentámos catequese, fiz comunhão solene, crisma, fui acólito, cantei no coro da minha igreja vários anos, sou escuteiro católico, casei pela igreja católica, um dos meus melhores amigos de infância é hoje pároco na igreja matriz da Horta e, mesmo após a minha mudança definitiva para o continente, continuei a frequentar a igreja e todos os seus rituais. Mais importante de tudo, sou um homem de fé e acredito em Deus. 
Quando engravidámos a questão veio à tona: "vamos baptizar a miúda?" e eu fiquei tão chocado com a questão- para mim era uma certeza absoluta- que este passou a ser um assunto daqueles de grande reflexão familiar. Como poderíamos sequer equacionar não trazer a Ana para esta festa de fé e comunhão? Como poderia não a educar com base nos meus valores mais profundos e absolutos que fui beber à igreja católica? E- já no limite- qual o prejuízo em introduzir a Ana no Catolicismo, salvaguardando que,quando tiver livre arbítrio e maturidade,pode reafirmar a escolha feita pelos pais ou seguir outro caminho de fé como qual de identifique?
O argumento de "ela escolhe quando for grande" para mim não era válido quando nós escolhemos que ela se tornasse carnívora e não vegetariana, que usasse fraldas descartáveis em vez de reutilizáveis, que frequentasse uma determinada escola com uma corrente de estudo e não outra qualquer e, todos os dias, fazemos escolhas que, de uma forma ou outra, afectarão a sua personalidade, gostos ou interesses. Para mim o baptismo era uma não questão e um caminho óbvio. O meu dia-a-dia segue rituais católicos (oro todos os dias,por exemplo; na casa dos meus pais oramos antes decada refeição, vou todos os domingos à celebração da eucaristia), logo, faz-me sentido que a Ana me acompanhe neste caminho, que é para mim não só uma herança dos meus pais masuma escolha reafirmada. 
 

Na minha casa fomos educados pela religião católica mas com muita flexibilidade. Sou baptizada, fiz a primeira comunhão, frequentei catequese e desisti dela, não cheguei a fazer a comunhão solene nem o crisma mas, quando chegou a altura, e por insistência do meu marido, o casamento católico fez parte do nosso percurso. Pelo caminho eu deixei de frequentar a igreja e todos os rituais católicos inerentes e adoptei aquele epílogo cobarde e confortável do "católica não praticante". O meu marido fica furioso quando eu digo isso porque acredita que o catolicismo é uma essência e não uma prática, corrigindo-me sempre que eu sou católica praticante (pratico os valores do bem inerentes à religião) só não cumpro os rituais. 

A religião nunca foi tema de conversa entre nós. Ele gosta de ir à missa como forma de desentorpecer a mente. Eu tenho os meus próprios escapes. Ao domingo eu gosto de dormir até mais tarde, ele gosta de celebrar Deus com o ritual da missa. Com fés, crenças, necessidades individuais do outro, nenhum de nós interfere. Acreditamos no mesmo Deus mas temos comportamentos distintos na nossa relação com ele. 

Obviamente que a educação religiosa da filha que temos em comum foi alvo de discussão.

 

AGENDA | Passar o Dia da Criança no Porto

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Este ano, a Festa da Criança parte à aventura para o Parque de São Roque, no Porto, com a duração de três dias repletos de brincadeira e muita animação!

Além das muitas surpresas que o próprio parque proporciona – como um mágico labirinto onde cabe às crianças descobrirem a saída – haverá também jogos tradicionais, oficinas, pista de BTT, passeios de caiaque no lago, batismos de moto, espetáculos e muitas outras brincadeiras.

 

Pessoal da Invocta: ao caminho!

 

 

(Sugestão do Nuno Portela- ilustríssimo membro do grupo "Pais" deste blogue)

E quando um filho fica internado?

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A nossa filha ficou internada uma vez, era ainda muito bebé, teria uns três meses talvez. No entanto, recentemente. um casal de grandes amigos passou por um período de internamento prolongado do filho mais novo, ainda bebé e cá em casa acabámos por dar algum suporte. 

 

Eis algumas ideias e dicas que gostaria de partilhar, de acordo com a nossa experiência:

 

  • Primeiro que tudo ser racional; no hospital a criança doente está melhor que em casa, sob cuidados de pessoal médico preparado e competente e que sabe agir de forma rápida e eficaz às necessidades do nosso filho.

 

  • Obrigatória a presença constante de um dos progenitores junto do filho doente.  A presença constante de um dos progenitores revela-se sempre com efeito placebo junto das crianças e objecto permanente de segurança emocional por parte dos bebés. 

 

  • No hospital da nossa área de residência (público, que cá em casa não temos seguros de saúde e somos defensores absolutos do SNS) ambos os pais podem acompanhar o filho doente durante todo o dia, no entanto, apenas um dos progenitores pode pernoitar. Assim, se o internamento for mais prolongado é importante estabelecer um regime de rotatividade de pernoita entre ambos os progenitores. Se, por um lado, a criança doente fica com acesso intercalado a ambos os pais, por outro, os irmãos não doentes não ficam privados de forma permanente e desequilibrada de um dos pais, podendo gerir de forma mais estável emocionalmente este período conturbado para toda a família. Para além de que, convenhamos, dormir num cadeirão dá cabo do corpo de qualquer pessoa e uma noite, dia sim, dia não, dormida na própria cama e um banho matinal na sua casa regenera qualquer um para o dia que se segue e para poder estar em mais e melhores condições de apoiar toda a estrutura familiar. 

 

  •  Quando o progenitor ausente do hospital quiser comunicar com o presente no internamento deve fazê-lo, sempre que possível, via sms. Telemóveis não são amigos de máquinas e aparelhos hospitalares e vozes aflitas e choronas ao telefone são pressentidas pelas crianças, ainda que em idade muito precoces.

 

  • Falar com o filho doente sempre num tom normal e sem "coitadinhaaaa da minha bebéééé, pobreeeezinhhaaaa!". Uma voz calma e pausada, no timbre e no registo a que sempre habituámos os nossos filhos fá-los reconhecer o controlo da situação por parte dos pais. Qualquer linguagem verbal ou não verbal dissonante por parte dos progenitores faz acender a sirene de alerta dos nossos filhos: "se a minha mãe/meu pai estão agitados é porque há razão para tal, logo, fico também eu descontrolado e inseguro."  Nunca perder o controlo ou chorar ao pé do filho doente. Se estamos numa situação em que queremos que a criança mantenha a calma e não fique ansiosa temos que dar o exemplo. 

 

  • Levar um bocadinho do ambiente caseiro e familiar para o hospital, de forma a transmitir familiaridade, conforto e afecto. No nosso caso, levámos a mantinha que a Ana usava desde que nasceu, os biberãos eram os dela e o seu "dodo" funcionava como objecto de transição. No caso de crianças mais velhas levar os amuletos, fotografias da família ou alguns brinquedos preferidos tem o mesmo efeito. 

Desafios do pai #2 - Construir um livro sensorial para o filho bebé

Cá em casa sou o progenitor com jeito para trabalhos manuais.

 

Um dia destes, em arrumações, cruzei-me com um simples e despretensioso livro sensorial que fiz para a minha filha, teria ela um ano e meio a dois anos.

 

A ideia era trabalharmos as questões sensoriais (as folhas eram lisas, o papel de lixa era áspero, o papel de prata era frio, o feltro era quente, o algodão era fofo e a pedra era áspera) e lembro-me que a Ana gostava especialmente de o folhear comigo e de sentir as diferentes texturas.

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 Nestas coisas dos livros sensoriais,o limite é a imaginação de cada um mas fica aqui a sugestão cá de casa.   

 

Quem já construiu livros sensoriais para os filhos? Mostrem-nos!  

 

(Partilhem na página de facebook do "Em nome pai" ou no instagram com os hashtags #desafiosdopai ou #emnomedopaiblog )

Contra os T.P.C marchar, marchar!

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Imagine que chega ao trabalho e, sem qualquer sentimento de culpa por estar a roubar tempo que lhe é pago para trabalhar pela sua entidade patronal, gasta umas boas duas horas a tratar de assuntos domésticos: paga contas online, atende telefonemas da educadora dos miúdos, dos senhores da NOS, aproveita e adianta as compras via Continente Online, lê um capítulo do livro que não tem conseguido acabar porque chega à cama tão cansado. Para cúmulo, o seu chefe tenta interrompê-lo n vezes, chama a sua atenção e você responde "ah, espere só um bocadinho! O colaborador tem só que acabar isto e já vai!" Surreal, certo?

 

Imagine que chega a casa e gasta umas boas duas horas a ultimar aquele relatório, a acabar o Excel que ficou de enviar para o seu chefe, a ultimar os documentos que não conseguiu terminar no horário de expediente e que têm mesmo que ficar prontos. De caminho, atende o telefone do seu chefe, manda e-mails a clientes e faz mais duas ou três chamadas. O seu filho tenta interrompê-lo x vezes, chama a sua atenção e você responde "oh querido, espera só um bocadinho que a mãe/pai está só a acabar umas coisas de trabalho e já vai ter contigo". Surreal ou uma realidade? 

 

Agora vamos fazer este exercício tendo como sujeito a sua criança.

 

Imagine que o seu filho chega à escola e saca do tablet para descontrair um bocadinho e jogar um joguinho. Põe os phones nos ouvidos e ouve uma musica para relaxar e tentar gozar um bocadinho de ócio na sala de aula. Saca uns episódios de desenhos animados e cá vai disto. De caminho, como é adolescente, aproveita o tempo da aula para estar no chat com os amigos ou para ver se há pikachu perto do quadro ou debaixo de alguma cadeira. É que nem se atrevia, certo? Nem o pai nem a mãe normalizariam estes comportamentos que são característicos do tempo passado em casa a descontrair, a socializar com os pais ou com o grupo de pares. 

 

Agora imagine que depois de uma carga letiva de oito horas (sim, a mesma carga horária do dia de trabalho de um adulto) a criança chega a casa e tem que fazer uma cópia para Língua Portuguesa, uns problemas para Matemática e uns exercícios de Estudo do meio. Acaba estas tarefas e tem tempo para tomar banho, jantar e ir para a cama. Parece-lhe um cenário estranho? Nem por isso, não é?

 

Enquanto psicólogo mas, mais ainda, na qualidade de pai, continua a espantar-me a nossa conivência para deixar as tarefas que deveriam estar circunscritas ao espaço trabalho e ao espaço escola entrarem nas nossas casas.

 

 

 

 

Cada um nos seus devidos tempos. 

 

 

Blog Out # 5 Parque Raró (Vila do Conde)

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Imaginem que existia um parque onde todas as crianças- todas sem excepção- pudessem participar nas actividades propostas: arborismo, escalada, slide, recanto das fadas, jardim dos sentidos e borboletário, horta biológica e aldeia dos animais. 

Sim,isso mesmo, tudo no mesmo espaço e para todos. Não é preciso imaginarmos, ele existe, situa-se em Vila do Conde e chama-se "Parque Raró"!

 

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O Parque Raró foi concebido no âmbito das atividades de Apoio à Deficiência Mental do MADI (Movimento de Apoio ao Diminuído Intelectual) de Vila do Conde – é por isso um parque inclusivo e adaptado a crianças e jovens com diversidade funcional e ao público em geral. 

Não se trata de um parque adaptado, ou seja, um parque pensado de acordo com as necessidades normativas das crianças e depois adaptado às crianças com necessidades específicas. Trata-se de um parque pensado para todas as necessidades de todas as crianças para que todas, juntas, possam experenciar e usufruir de espaço de lazer, de experiências, de actividades em conjunto, com o mesmo acesso a estas, com as mesmas oportunidades. 

 

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Parabéns aos mentores deste parque e- mais uma vez- ao Norte do país, tantas vezes pioneiro em alternativas de educação formais e não formais únicas!

 

Vêm daí?

 

Mais informações aqui aqui 

Ao cuidado da minha mulher: não ler este post (contém spoilers)

Na verdade da última vez que lá fomos tememos pelo futuro da Ana (querem lá ver que teremos outra psicóloga cá em casa?!)

(Para sermos honestos viemos traumatizados da última visita à Kidzania. A Ana foi a uma empresa de recrutamento conhecer o seu perfil de interesses e tememos que tenhamos outra psicóloga na família... Glup!) 

 

 

De todas as vezes que a minha mulher vai com a miúda à Kidzania chega com o mesmo brilho nos olhos e com a mesma cantilena: "No meu tempo íamos ao Portugal dos Pequenitos entrar em casas em miniaturas e achávamos que era o Éden. Porque raios nasci na década errada e não posso experimentar eu a Kidzania?!"

 

E é isto a minha vida: tenho uma mulher que tem inveja da filha por não poder pilotar um avião, ser polícia ou bombeira por um dia e trabalhar numa pizzaria para no fim se encharcar de pizza. 

 

Parece que a Kidzania ouviu as preces de senhora minha esposa e, este fim-de-semana, durante os dois dias, mães e filhos são convidados a participar, em conjunto, nas actividades de mais de 30 estabelecimentos da Cidade das Crianças.

 

Avisei a Ana que estava, assim, decidida a primeira parte do programa do Dia da Mãe e a reacção foi a esperada: euforia total, sacou logo do passaporte onde vai coleccionando carimbos e das notas que nunca chega a gastar porque, enfim, é uma tia Patinhas que quer sempre começar a visita seguinte com um plafond mais confortável que lhe permita trabalhar menos e usufruir mais. É muito olho para o negócio... (sai ao avô paterno)

 

Assim, amanhã rumaremos para realizar alguns recalcamentos sonhos da minha mulher, como ir a uma esquadra da polícia antes de o fazer para ir buscar a filha adolescente que se meteu em sarilhos, fazer parte da equipa de emergência do INEM sem ter que pôr em prática o suporte básico de vida que aprendeu num workshop e cujo formador garantiu que a força que ela usava era suficiente para partir uma ou duas costelas à vítima ou ajudar a parir um bebé, coisa que ela acha linda desde que esteve grávida e viu 63839 filmes do youtube sobre partos para no fim... a nossa filha ter nascido de cesariana. E, claro, pilotar um avião, o maior recalcamento sonho de todos!

 

Como amanhã o horário da Kidzania é diferente (abre às 11h e fecha às 19h) começaremos por visitar a cidade dos brinquedos e à tarde iremos fazer um snackinner (se o brunch mistura o breakfast com o lunch, para nós, o snackinner mistura o snack da tarde com o dinner, sim, somos estranhos!) com desenho e postal já preparados, uma prenda feita pela filha comigo (não arrisco aqui a dizer porque, enfim, não tenho total confiança na minha mulher apesar do título deste post) e no fim do dia um filminho com pipocas, porque o pai também merece. 

 

Depois conto-vos como foi! E se, graças à Kidzania, a minha mulher quererá, aos quase 40 anos, mudar de carreira... 

 

Movimento Escola Moderna trocado por miúdos

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“O Movimento da Escola Moderna (MEM) é uma Associação Pedagógica de Professores e de outros Profissionais da Educação, criado nos anos 60, cujo fundador é o pedagogo Sérgio Niza.Constituído por mais de dois mil profissionais empenhados na integração dos valores democráticos na vida das escolas, encontra-se hoje espalhado por quase todo o país e organiza-se em 14 Núcleos Regionais, de Vila Real ao Algarve. O Movimento da Escola Moderna tem profissionais nos vários ciclos de ensino, desde o pré-escolar ao ensino superior - recentemente tem dado também passos na construção de uma linha pedagógica para a Creche (até aos 3 anos).

 
Como é que na prática o Movimento da Escola Moderna se operacionaliza no Jardim-de-Infância?
 
“… assumimos, desde há muito, as actividades escolares como trabalho de conhecimento e de produção cultural onde, em cooperação, se constroem as aprendizagens curriculares e de cidadania, criando condutas de projecto que façam avançar novas obras, assentes em contratos dialogados entre os que partilham o trabalho de apropriação e de criação cultural.”
Sérgio Niza.


 
O modelo do MEM baseia-se em princípios democráticos,éticos, de participação e de cooperação. Os principais objectivos são fornecer às crianças aprendizagens que as dotem de ferramentas para a vida em sociedade, sem esquecer as capacidades e necessidades individuais de cada uma.Desta forma, as crianças poderão obter sucesso nas tarefas e actividades em que se envolvem, planeando e estruturando o pensamento e dever cívico através da sua autonomia, criatividade e dever democrático.
 
 
gestão do currículo é feita cooperadamente pelo educador e pelo grupo de crianças, de forma democrática, nas reuniões de planeamento e avaliação que acontecem no Conselho de Cooperação. Através desta gestão do currículo surgem projectos. O trabalho de projecto fornece, desde cedo às crianças, oportunidades frequentes não só de escolha e de tomada de decisões, mas também de responsabilidades para com os outros e para com elas próprias.
 
 
A escola existe como comunidade, e daqui surgem três finalidades formativas que dão sentido ao ato educativo:
1.Iniciação às práticas democráticas;
2.A reinstituição dos valores e das significações sociais;
3.Reconstrução cooperada da cultura.
 
 "O MEM propõe-se construir,através da acção dos professores que o integram, a formação democrática e o desenvolvimento sócio moral dos educandos com quem trabalham, assegurando a sua plena participação na gestão do currículo escolar. Assim, os educandos responsabilizam-se por colaborarem com os professores no planeamento das actividades curriculares, por se interajudarem nas aprendizagens que decorrem de projectos de estudo, de investigação e de intervenção e por participarem na sua avaliação. Esta avaliação assenta numa negociação cooperada dos juízos de apreciação e do controlo dos objectivos assumidos nos planos curriculares colectivos e nos planos individuais de trabalho e de outros mapas e listas de verificação do trabalho de aprendizagem, que servem para registo e monitoragem do que se contratualizou em Conselho de Cooperação Educativa.
 
É por esta vivência – pondo à prova os valores humanos que sustentam a justiça, a reciprocidade e a solidariedade – que a organização do trabalho e o exercício do poder partilhados virão a transformar os estudantes e os professores em cidadãos implicados numa organização em democracia directa. Simultaneamente, esta experiência de socialização democrática dos estudantes constitui o sustentáculo do trabalho do currículo-nas turmas, entendidas como comunidades de aprendizagem, num envolvimento cultural motivador." in www.movimentoescolamoderna.pt
 

 

Para saberem mais sobre o modelo pedagógico do Movimento da Escola Moderna na prática visitem o blogue da Sala da Marta. http://sala-da-marta.blogspot.pt/"
 
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A Marta é educadora de infância, formada pela Escola Superior de Educação de Lisboa em 2005. Trabalha segundo os princípios e pedagogia do Movimento da Escola Moderna, modelo em que acredita. Fez parte da Direcção do Movimento da Escola Moderna onde dá actualmente formação. É mestre pela ESE de Lisboa onde defendeu uma tese sobre "Os direitos de participação das crianças e o Movimento da Escola Moderna". Trabalha actualmente com crianças dos 3 aos 5 anos no ColégioPiloto Diese (o meu colégio de eleição para a Ana caso vivesse em Lisboa). 

PPG- Projetos Pedagógicos Geniais- Inventors!

Muitas vezes as crianças sonham e projectam desafios incríveis para lá da imaginação e que a maioria dos adultos só consegue interpretar no domínio da criatividade infantil mas nunca consegue projectar na realidade.

Foi a pensar nisto que o designer Dominic Wilcox pediu a 450 crianças que desenhassem uma invenção de sua autoria no papel, por mais espatafúrdia que esta parecesse. O objetivo não era pendurar os desenhos no frigorífico nem tão pouco fazer uma exposição numa sala de aula coletiva. 

Recolhida todas esta pequisa e em colaboração com o The Cultural Spring materializou 60 destas através do projeto Inventors!, pedindo a empresas que transformassem estes projetos em protótipos reais. 

O resultado? Genial. 

 

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