Aniversário de namoro
As nossas viagens de carro nunca são em silêncio. No outro dia, de regresso a casa com a Ana já adormecida na cadeirinha do banco traseiro falávamos de música e das músicas que os nossos pais ouviam quando éramos pequenos, geração de 80, pais com raízes na Margem Sul e nas Áfricas, mães açoriana e lisboeta. Rimo-nos ao relembrar "A Cinderela", os "Meninos de Huambo" e o "Amar como Jesus amou", do qual a nossa filha é fervorosa fã. Depressa passámos para as músicas braseileiras, a Simone e a Gal Costa, a Elis Regina e os Roupa Nova e chegámos a casa, estacionámos e deixámo-nos ficar, de smartphone em punho ligado ao youtube a cantarmos baixinho, entre o divertido e o "shiuuu, não acordes a miúda!" numa cumplicidade musical e de vida, que é de vida que escrevo neste post.
E à meia-noite, comemorando 17 anos desde o nosso primeiro beijo, eu recém-chegado dos Açores para estudar, tu a miúda mais segura e confiante que já conheci e o céu de Lisboa como testemunha. E ligámos o youtube na música cafona, sintonizámo-nos aqui:
"Se eu não te amasse tanto assim talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão"
