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Em nome do Pai

Paternidade na ótica do utilizador.

Em nome do Pai

Paternidade na ótica do utilizador.

Não morrer do mal. Nem da cura.

Imagem: marc.majewski

Imagem: marc.majewski

 

 

Olhar para as escolas como um mero receptáculo de crianças enquanto os pais têm que cumprir os seus papéis laborais não é apenas redutor: é criminoso.

Ignorar a importância absolutamente nevrálgica da educação formal e não formal é colocar para segundo plano o ser humano enquanto ser biopsicossocioemocional e decidir que o que interessa é apenas a sua componente biológica e fisiológica.

As medidas recomendadas pelo Governo face ao ensino (em particular ao pré-escolar) governar-nos-ão do ponto de vista do que é a assepsia necessária à vida literal, não à vida afectiva, emocional, psicológica e social das crianças. Acontece que nos primeiros anos o desenvolvimento das crianças faz-se de vínculos, de toques, de beijos e abraços, sobretudo, de colo. E é toda esta estrutura que constitui o pilar do desenvolvimento sensorio-emocional das crianças que alavanca todos os outros sistemas: o cognitivo, o social.

Aprendemos, sobretudo, através do sentir e do amar. Fazemo-lo através do brincar, do experimentar o espaço e apropriarmo-nos dele, da aprendizagem social com as outras crianças, da negociação sobre o brinquedo que queremos disputar, da resolução de problemas depois de uma briga, da tomada de decisão inerente à vida em sociedade.

Aprendemos sobretudo com os outros e os outros connosco através do sentir e do amar.

Impor medidas de assepsia necessárias à vida biológica e fisiológica vai lesar, talvez irremediavelmente, as estruturas de funcionamento emocional e os referenciais de afecto, de sociabilização e de funcionamento psicossocial e emocional destas crianças- que são pessoas-para sempre. Estamos dispostos a pagar este preço? Quais as alternativas? Não sei. Não tenho certezas.

“Sei que não é por aqui”- como diria o poeta. Porque, tal como uma nuvem não é apenas uma nuvem e pode ser um unicórnio ou um pônei desenhados no céu, uma creche ou um JI não são apenas espaços onde pessoas tomam conta dos nossos filhos enquanto trabalhamos: são espaços de construção de identidades, de formação de seres humanos.

Pensemos nisto.

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